O domínio das UPPs

11-04-2011 21:23
            A ideia da criação das UPPs (Unidades Pacificadoras da Polícia) foi elogiada por muitos que criticavam as operações policiais por invadirem os morros, trocarem tiros, apreenderem algumas armas e drogas e depois abandonarem novamente as comunidades. Com uma linha de raciocínio esplêndida, o  objetivo das UPPs é pacificar áreas de conflitos, antes dominadas por traficantes, devolvendo segurança e paz para a população. Seu planejamento de instalação era inicialmente ocupar a Zona Sul e depois partir para outras regiões. Muitas UPPs já foram instauradas para coibir traficantes e acabar de vez com o tráfico de drogas e a marginalidade local.
            Para o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, as UPPs estão obtendo resultados positivos. Para ele a última operação da polícia no Complexo do Alemão conseguiu destruir a “ditadura do tráfico”. Ao conversar com internautas, por meio do Twitter em novembro de 2010, ele justifica sua afirmativa: “Por que eu digo que é um sucesso? Porque o território foi devolvido à população. As crianças podem agora jogar bola. As pessoas não podiam usar um orelhão. Não tem mais a ditadura do tráfico, no contexto da guerra, nós ganhamos a batalha mais importante.”
            De acordo com Elenice e Vera Araújo em reportagem do Globo de 20 de fevereiro de 2010, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) mostrou que hoje para 93% da população, onde unidades já estão funcionando, a comunidade é muito segura ou segura.
            Mas, a verdade é que os fatos contradizem os argumentos de Beltrame e a crença de alguns habitantes das favelas ocupadas pelas UPPs. Ambos acreditam que a polícia conseguiu “dominar” territórios que possuem UPPs, que os bandidos sumiram e que não existe mais tráfico.
            De acordo com a reportagem da Record feita por Mario Hugo no dia 29 de janeiro deste ano, mesmo com a ocupação da polícia após implantação da Unidade de Polícia Pacificadora, o tráfico de drogas continuou nos morros da Babilônia e no Pavão-Pavãozinho, na zona sul. As investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontam o contínuo comércio de drogas o qual a delegada Monique Vidal, da 13ª Delegacia (Copacabana) afirma ser um flagra difícil, visto que os marginais agem discretamente e circulam com pouquíssima quantidade de drogas.
            Na Cidade de Deus, a segunda favela a ganhar uma UPP, existe o “Feirão da droga” que se inicia sempre por volta das 15h e só acaba quando esgota o estoque, como foi mostrado na reportagem feita por Vera Araújo, através de imagens exclusivas do Globo.  Nas cenas registradas podemos observar que não existe idade nem mesmo sexo para o intenso consumo. É possível ver adolescentes, homens e até mesmo senhoras comprando seus “produtos”!
            Atualmente, visto como uma artimanha política, há quem diga que a “pacificação” não passa de um acordo entre o governador e os traficantes, cujo podem traficar livremente desde que sem armas e sem tirar a paz dos moradores locais. Beltrame, mesmo que indiretamente, respondeu aos boatos quando foi indagado sobre o vídeo flagrado. Ele afirma que já recebeu algumas denúncias sobre os casos. Ainda completa dizendo: “Não podemos nos esquecer que fizemos mais de 200 prisões na Cidade de Deus, desde que instalamos lá uma UPP. A missão básica sempre foi desarmar os traficantes e levar paz aos moradores. O vídeo parece que não mostra gente armada.” Ou seja, quanto ao vídeo, tranqüilo! Não há razão para alarmantes, pois a única prática que vemos no local flagrado são moradores vendendo suas drogas! O mais importante é que não vemos mais pessoas armadas andando pelas ruas!...?
            Em março do ano passado na primeira edição do RJTV, Rodrigo Pimentel, especialista em segurança e ex-BOPE, participou de uma entrevista onde ele confirma que "a proposta inicial da UPP sempre foi acabar com o tráfico de drogas armado, com a ditadura da arma. A venda de cocaína, de maconha, ela continua, ela vai acontecer, a presença do traficante vai continuar.”
            Efetivamente não nos restam dúvidas de que a presença dos policiais e a ocupação das UPPs nas comunidades, independente de acordo político ou não, podem até amenizar o armamento, mas dificilmente acabará com o tráfico de drogas.

Clarice Santos

 

 

Referências:

 

ARAÚJO, Vera <https://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/07/01/feira-de-drogas-resiste-upp-da-cidade-de-deus> Acesso em: 01 fev. 2011.

__________<https://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/02/20/pesquisa-mostra-que-93-dos-morados-aprovam-upps-mas-68-temem-volta-do-trafico-915902620.asp> Acesso em: 31 Jan. 2011.

FERNANDES, Hélio. <https://www.tribunadaimprensa.com.br> Acesso em: 01 fev. 2011.

MONKEN,  Mario Hugo. <https://toxina1.blogspot.com/2011/01/rio-de-janeiro-trafico-de-drogas.html> Acesso em: 31 Jan. 2011.

OLIVEIRA, Marilda. <https://protogenescontraacorrupcao.ning.com/forum/topics/upp-nao-acaba-com-o-trafico> Acesso em: 01 fev. 2011.

SANSON, Yuri. <https://protogenescontraacorrupcao.ning.com/forum/topics/upp-nao-acaba-com-o-trafico> Acesso em: 31 Jan. 2011.

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