“Mas o que é mesmo “gramática”?”

02-12-2011 21:34

            Este artigo pretende desenvolver algumas observações importantes sobre o artigo de Carlos Franchi “Mas o que é mesmo “gramática”?”, organizado por Sírio Possenti.  Este afirma que o texto “obriga o leitor a não ver apenas problemas em textos “não-corretos” e a ver também problemas em textos “corretos”.

            Franchi questiona em seu artigo as diferenças entre “gramática”, “ gramatical” e “saber gramática”, para isso ele demonstra, na prática escolar a empregabilidade de gramática: normativa, descritiva e internalizada.

            Atualmente vemos aulas de português apenas com o ensino da gramática. As aulas são mecânicas levando o aluno a não gostar de Português, justamente a língua que ele se comunica todos os dias; sua língua materna.

            Baseados na gramática normativa, os professores aplicam suas aulas preocupados com as regras gramaticais pra bem falarem e escreverem, de acordo com o uso da língua consagrada pelos bons escritores. Nessa visão de gramática única e ideal, acaba evidenciando a discriminação dialetal, pois as pessoas que usam o português com tonicidades diferentes são alvos de preconceitos visto que o dialeto “não-padrão” é avaliado como incorreto e ilógico.

            A gramática descritiva, por sua vez, que deveria ser mais cientifica que a normativa, segundo Franchi, normalmente no ensino escolar ela incorpora os mesmos preconceitos: “se transforma em um instrumento para as prescrições da gramática normativa”.

            Embora as concepções de gramática apontadas até aqui não mereçam ser totalmente excluídas, o  escritor  evidencia uma última merecedora de atenção principalmente no que diz respeito à prática escolar. Esta, que conhecemos por gramática internalizada, mostra que ao nascermos já tomamos posse de uma língua e que uma criança é capaz de construir frases que apresentam uma estrutura organizada por essa língua, mesmo que ainda não tenha se inserido aos estudos escolares. Uma criança é capaz de manter uma interação em uma conversa, além de produzir e compreender  textos através  dos conhecimentos que possui  de sua língua materna. O que deve, é claro, é esta criança melhorar sua capacidade comunicativa e desenvolver sua habilidade em textos para que futuramente seja um cidadão sociável.

            Destaca Franchi que “além de um trabalho gramatical que ofereça à criança as condições de domínio da modalidade culta, existe um trabalho contínuo e persistente a ser feito para que ela amplie o conjunto dos recursos expressivos de que dispõe para a produção e compreensão dos textos”.

            Fica evidente que é preciso um trabalho paralelo das concepções de gramáticas e que muito deve dar-se atenção à língua materna do indivíduo.

            O escritor conclui em seu artigo que “conceber  “gramática”, “gramatical”  e “saber gramática” tem tudo a ver com texto e com discurso”.

            Após essas análises, compreendemos que o professor  precisa levar em conta que os alunos vêm para a escola já com uma gramática, a internalizada. Devemos trabalhar procurando ampliar a aprendizagem da língua culta padrão, através de produção de textos, de discursos e ainda da expressão oral dos alunos, e não apenas enchê-los de conceitos e regras que no final dos estudos nem mesmo lembram quais são. Só assim conseguiremos “saber gramática”.

 

Clarice Santos.

 

 

REFERÊNCIAS:

 

FRANCHI, Carlos. Mas o que é mesmo gramática? São Paulo: Parábola,. 2006.